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Textor Cruza o Rubicão no Botafogo: Desafios Administrativos e Futebol "Bielsista" Superando Expectativas

Por Redação FutFogão em 31/01/2026 04:16

A gestão de John Textor no Botafogo tem sido marcada por uma série de turbulências financeiras e de credibilidade. O que se apresentava como um aporte significativo, na verdade, se configurou como um empréstimo com juros elevadíssimos, gerando uma dívida colossal de R$ 1,5 bilhão. Somam-se a isso atrasos no pagamento de contratações, promessas de agressividade no mercado que parecem ter sido esquecidas, cobranças de comissões por parte de empresários e um notório desgaste político nos bastidores. A escassez de transparência e os discursos contraditórios têm minado a imagem do empresário perante uma parcela expressiva da torcida botafoguense.

Na última quinta-feira, o empresário atingiu um ponto de não retorno ao tentar negociar, de forma discreta, a venda de Danilo e Montoro por valores irrisórios ao Nottingham Forest, clube do empresário Evangelos Marinakis. Uma decisão judicial impediu a transação, que teria deixado o clube desfalcado de dois jogadores importantes e com apenas R$ 50 milhões em caixa. Tal movimento, característico de uma gestão temerária, faz com que o planejamento inicial para 2025 pareça um alívio diante do iminente "tsunami" que se formou sobre o Botafogo nesta semana. Era um tempo em que as preocupações se restringiam às escalações de Renato Paiva.

Bastidores em Ebulição e Reação da Torcida

Pela primeira vez, o ambiente no Estádio Nilton Santos não foi de apoio irrestrito a John Textor. Em meio à crise financeira, o empresário, que outrora buscava a aproximação com o torcedor, adotou uma postura defensiva. Rapidamente se dirigiu ao camarote, realizou um pronunciamento oficial ? que não deve ser confundido com uma entrevista ? e evitou o contato com a imprensa na zona mista. Uma atitude que denota pressão e a necessidade de se resguardar.

O acionista, habituado ao sol da Flórida, optou por não interagir com a massa alvinegra, dispensando as tradicionais selfies. Em vez da euforia, o que se ouviu foram gritos de ordem e protestos das torcidas organizadas. Uma faixa exibida na Leste Inferior deixou a mensagem clara: "O clube é de sua gente!". Essa reação sugere que a torcida botafoguense percebeu que a idolatria a dirigentes não condiz com a grandeza do clube. O Botafogo , historicamente, não se pauta por figuras messiânicas e não necessita de um salvador. A SAF precisa de uma liderança diferente, e a figura de Textor parece cada vez mais inviável, um alerta já sinalizado por experiências anteriores na França, Inglaterra e Bélgica.

Gratidão em Campo Versus Desafios Administrativos

O desempenho da equipe em 2024 tem sido a principal sustentação do investidor. É inegável que houve avanços significativos desde março de 2022, como a qualificação do scout, o aprimoramento das categorias de base, a montagem de elencos competitivos, as boas instalações do Espaço Lonier, e as três classificações consecutivas para a Copa Libertadores, além do memorável título em dezembro de 2022. Contudo, o Botafogo tem se exposto negativamente, afastando potenciais novos investidores. Títulos não servem como salvo-conduto para atitudes autoritárias ou megalomaníacas. O Glorioso transcende as conquistas; elas apenas reforçam sua magnitude, e não devem torná-lo refém dos interesses de um investidor irresponsável.

O Campo Como Antítese dos Bastidores: A Força do Botafogo "Bielsista"

Em um contraste marcante com as turbulências administrativas, o desempenho em campo tem sido notável. O Botafogo 4 x 0 Cruzeiro remete à histórica goleada sobre o Peñarol por 5 a 0 em outubro de 2024. No entanto, superar a Raposa, uma equipe forte candidata ao título brasileiro, sem o seu "Quarteto Fantástico", representa um feito ainda mais expressivo do que atropelar a equipe uruguaia, com todo o respeito à sua história. A comparação só não ganha maior destaque devido às diferentes competições em que ocorreram os jogos ? o Brasileirão na primeira rodada e uma semifinal de Libertadores. Em ambas as ocasiões, porém, o time alvinegro demonstrou uma capacidade de recuperação extraordinária e uma voracidade impressionante para dominar o adversário.

Martín Anselmi tem se destacado por blindar o vestiário das questões administrativas e superar as expectativas. O treinador argentino tem promovido uma verdadeira revolução tática, encontrando soluções criativas em um elenco enxuto. Observamos um lateral-direito atuando como zagueiro, um volante como líbero, um ala na lateral-esquerda e um ponta centralizado. Essa abordagem vanguardista não surpreende, dado que o clube contratou um discípulo de Marcelo Bielsa. A ausência de jogadores importantes devido ao transfer ban é um obstáculo, mas não impede a demonstração de um futebol envolvente.

O estilo "bielsista" é um deleite quando aplicado com sucesso, inspirando treinadores mundialmente. No entanto, este estilo, que preza pela linha de marcação alta, pode deixar a defesa exposta, exigindo uma sincronia impecável dos movimentos, que só se aprimora com o tempo. A torcida, compreensivelmente, demandará um desempenho consistente. O novo treinador do Botafogo merece elogios. No Campeonato Carioca, o time dominou os adversários com posse de bola. Contra o Cruzeiro, o cenário foi diferente, com o adversário tendo a posse, mas o Botafogo respondeu com "Velocidade Máxima" após as substituições, lembrando um filme de ação, graças à leitura de jogo de Anselmi.

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