- FutFogão
- Renato Paiva detalha interferência de John Textor e revela verdade sobre demissão no Botafogo
Renato Paiva detalha interferência de John Textor e revela verdade sobre demissão no Botafogo
Por Redação FutFogão em 06/03/2026 16:53
O ex-comandante do Glorioso, Renato Paiva, trouxe à tona detalhes cruciais sobre os bastidores de sua passagem pelo Botafogo, especialmente no que tange à sua rescisão contratual. Em declarações contundentes, o técnico português direcionou críticas severas à conduta de John Textor, proprietário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube carioca, alegando que o empresário americano exerceu influência direta em seu trabalho durante o período em que esteve à frente da equipe. Paiva também revelou que Textor chegou a indicar sua permanência mesmo após a eliminação no Mundial de Clubes.
A Verdadeira Razão da Demissão: Interferência e Princípios
Renato Paiva explicou que a justificativa apresentada por Textor para sua demissão, baseada em uma suposta traição aos princípios do treinador, não condiz com a realidade. Pelo contrário, o português afirmou que foi precisamente por não ceder às interferências constantes em seu trabalho que acabou sendo dispensado. Ele destacou que o empresário buscava impor suas vontades, e sua resistência a essa ingerência foi o fator determinante para o encerramento de seu ciclo no Alvinegro.
"Há uma entrevista do senhor que me despediu, onde diz que me despede porque eu traí os meus princípios. Eu nunca pude responder nem quis, mas eu vou dizer que eu fui despedido exatamente porque eu não traí os meus princípios. Porque essa pessoa quis interferir constantemente no meu trabalho e eu não deixei. E esse é o verdadeiro motivo do meu despedimento. Não é o Palmeiras. Não é a derrota no Mundial. Nem um beijo de três dias e depois despedido", declarou Paiva à plataforma Área Técnica do "ge".
"Foi a oportunidade que ele encontrou para tomar uma decisão que na cabeça dele possivelmente já estava tomada por eu não permitir interferências no meu trabalho. Para mim é claro", completou o técnico, enfatizando a clareza que tem sobre os motivos de sua saída.
Números e Contexto da Passagem de Paiva
A trajetória de Renato Paiva no Botafogo foi encerrada com um retrospecto de 12 vitórias, três empates e oito derrotas em um total de 23 partidas disputadas. Sua chegada ao clube ocorreu com a missão de substituir o também português Artur Jorge, que havia deixado o comando do Glorioso para assumir o Al Rayyan, do Catar.
Críticas à Gestão: O Caso Cuiabano
Em sua análise sobre a forma como o clube é gerido sob o comando do empresário, Renato Paiva não poupou críticas. Ele citou um episódio específico envolvendo o jogador Cuiabano, que, segundo o treinador, estava se destacando em posições ofensivas.
"Cuiabano começa a fazer gols. Cuiabano começa a ser o melhor em campo em vários jogos. E eu recebo um recado de que não posso colocar o Cuiabano de ponta. Porque o Cuiabano tem que ser vendido como lateral. E eu pergunto: este senhor está preocupado com o Botafogo ? Cuiabano é o que desequilibra, é o que faz gols, é o que ajuda o time a ganhar. Esta preocupação deste senhor é com o torcedor do Botafogo ?", questionou Paiva, demonstrando indignação com a suposta prioridade dada a interesses comerciais em detrimento do desempenho esportivo.
Os Bastidores da Demissão no Mundial
A queda do Botafogo para o Palmeiras nas oitavas de final do Mundial de Clubes de 2025 foi um momento delicado. Embora John Textor tenha demonstrado descontentamento com a atuação da equipe, não houve sinais imediatos de que essa derrota seria o estopim para a demissão do técnico.
"Ele tem todo o direito em despedir-me. Ficou muito feio como fez. Porque nós perdemos o jogo com o Palmeiras, vamos para o hotel, ele fala com o grupo, almoça, despede-se ao meu lado, estava a falar com o Cláudio Caçapa, ele vem, despede-se e diz-me: "keep going coach, keep going (vamos em frente treinador, vamos em frente)". Eu jamais me esqueço. Um abraço e "keep going coach."
Contudo, a decisão de Textor parece ter se consolidado posteriormente. A tarefa de comunicar o desligamento coube aos diretores Alessandro Brito e Léo Coelho, que informaram Paiva sobre a decisão após um jantar com a delegação, no hotel. Essa abordagem gerou especial desconforto ao treinador.
"E é quando eles me informam do que tinha acontecido. Ele não despede ninguém. Ele manda despedir. Portanto, tem todo o direito de me despedir. Agora, como as coisas são feitas. É aquilo que dói. Em vez do "keep going coach", ias a uma sala e dizias: "olha, eu não gostei do jogo do Palmeiras, eu não gosto do teu penteado, eu não gosto de como é que te vestes, eu sou o dono, vamos acabar o contrato". Hoje, eu sei que ele me queria despedir. Mas depois, mandar os outros fazerem isso?", criticou Renato Paiva, revelando a forma indireta e, a seu ver, desrespeitosa como a demissão foi executada.
Curtiu esse post?
Participe e suba no rank de membros