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Carlos Leiria Fala Sobre Início de 2025 no Botafogo e Entende Críticas da Torcida
Por Redação FutFogão em 17/01/2026 11:13
O Botafogo se prepara para um reencontro especial neste sábado. No contexto das oitavas de final da Copinha, o clube carioca terá pela frente o Itaquaquecetuba, comandado por Carlos Leiria. Leiria, que ocupou o posto de técnico em uma das quatro passagens pelo comando da equipe principal em 2025, compartilhou suas impressões sobre o Glorioso em conversa exclusiva.
Gratidão e Compreensão com a Torcida Alvinegra
Em declarações ao ge, o atual treinador do Itaquá fez questão de manifestar seu apreço pelo Botafogo , ao mesmo tempo em que validou as críticas da torcida em relação ao desempenho oscilante no começo de 2025. O retrospecto inicial incluiu 11 partidas, com um saldo de quatro vitórias e sete derrotas, além do vice-campeonato da Supercopa do Brasil para o arquirrival Flamengo.
? Eu sou muito grato ao Botafogo . Grato por tudo, por ter treinado os melhores jogadores do Brasil, da América, na sequência pós-título deles. Acredito que isso me capacitou mais para o momento que eu estou vivendo agora. (...) Pelo torcedor, não (senti injustiça). O torcedor tem razão. Terminou 2024 vencendo, quer iniciar 2025 vencendo. O torcedor queria realmente uma equipe competitiva. Nós não estávamos ainda nesse melhor nível.
Trajetória no Glorioso e a Transição Pós-Artur Jorge
Carlos Leiria chegou ao Botafogo vindo do Resende, a convite de Rodrigo Chipp, então gerente técnico e metodológico da base, e Léo Coelho, atual diretor de coordenação de futebol. Durante sua passagem, chegou a comandar simultaneamente o sub-20 e o sub-23, equipe que alcançou o vice-campeonato do Brasileirão de Aspirantes.
Com a saída de Artur Jorge para o Al-Rayyan, do Catar, Leiria foi promovido a técnico do time principal. Inicialmente, a equipe era composta por jogadores do sub-20, enquanto os titulares estavam em pré-temporada.
? Eu estou rindo porque é impactante (risos). Quando eu vou para um clube, eu penso num plano de carreira, naquilo que eu posso fazer. Eu tinha, a médio e longo prazo, uma esperança de, quem sabe, treinar o Botafogo . Mas tendo em vista que o Artur Jorge fez o trabalho maravilhoso que fez, nem imaginava que depois aconteceria. Veio a ligação do Pedro Martins (ex-diretor de futebol do Botafogo ), falando que eu iniciaria, mas até então era o sub-20 com alguns jogadores profissionais.
Desafios da Reformulação e a Comunicação com o Público
Tendo vivenciado um cenário de múltiplas saídas do elenco, mesmo que com a perda de apenas dois titulares, Leiria acredita que o Botafogo não conseguiu transmitir à torcida a dimensão da transição que o clube atravessava.
? Me desdobrei em dois, com muita disposição. Tive a possibilidade de encontrar jogadores que já conhecia desde jovens, caso do Alex Telles, com quem trabalhei na base. A definição para mim era de oportunidade, entendeu? O Botafogo vinha de grandes conquistas, com um grande elenco e um grande trabalho. De repente, aquilo tudo foi modificado, um cenário novo para todos (com saídas do elenco ) ? disse Leiria, acrescentando:
? Talvez não tenham tido tempo de pensar em uma forma de conseguirmos ter um melhor desempenho. Fazer com que o externo entendesse que, com poucos dias de treino com o time principal depois das férias, era difícil você retomar o estilo do fim de 2024. Naquele momento, talvez a direção não tivesse a experiência para lidar com isso. Até mesmo para que a gente conseguisse passar isso de uma maneira mais clara de que a equipe estava em reformulação. Do Botafogo , não (faltou apoio). Talvez da direção, digamos assim.
O Caso Bastos e a Gestão de Elenco
Um dos momentos mais comentados da passagem de Carlos Leiria pelo Botafogo foi a escalação e subsequente lesão de Bastos contra o Nova Iguaçu, pelo Campeonato Carioca. O zagueiro permaneceu em campo por aproximadamente três minutos antes de sofrer um trauma no joelho que o afastou dos gramados por quase um ano.
Na ocasião, a torcida criticou Leiria pela decisão de escalar o time principal em uma partida de menor relevância. O técnico, contudo, ressaltou que a decisão não foi unilateral.
? Nós tínhamos um planejamento àquela altura de iniciar com os titulares contra o Fluminense. Uma equipe parecida com a que terminou o ano, mas jogou o Lucas Halter na defesa e ele fez um jogo muito bom. Internamente, conversamos que após aquele jogo seria interessante aumentar os dias de treinamento do Bastos, que ainda não estava 100% para estrear em uma final (Supercopa do Brasil). Foram entre três e cinco dias de preparação para ele estrear naquele jogo, em que infelizmente ele se machucou por um trauma. A estreia do Bastos foi pensada por todos, e isso eu gosto de enfatizar, contra o Nova Iguaçu.
? Tivemos a felicidade de vencer o Fluminense e fomos para o jogo contra o Flamengo. Houve uma conversa que os jogadores principais, com exceção do Bastos, fariam dois jogos de sequência. Isso nos daria, depois, um período de uma semana para os jogadores principais treinarem já com o elenco maior. Os jogadores do time de Aspirantes se dividiriam, alguns jogariam contra o Madureira e outros treinariam com o time principal. Foi uma gestão inteligente, de datas e de planejamento. Infelizmente, por uma pancada no joelho, o Bastos está há um ano sem jogar. O que foi feito na época foi bem pensado.
Limitações no Elenco e o Impacto na Pré-temporada
Leiria apontou o reduzido número de atletas disponíveis com regularidade no Espaço Lonier como um fator que pode ter contribuído para as oscilações iniciais em 2025. Segundo o treinador, o grupo restrito gerou insatisfação entre os próprios jogadores.
? A pré-temporada às vezes tinha sete jogadores (do grupo principal) participando de todos os treinos: Alex Telles , Barboza, Cuiabano, Matheus Martins, Marlon Freitas, Igor Jesus e o Mateo Ponte. O Vitinho vinha de um período sem treinos por causa do menisco, Jeffinho se apresentou machucado, o próprio Bastos se reapresentou depois e ainda não tinha condições de treinar. Allan estava resolvendo pendências particulares e não participou de todos os treinos, Danilo Barbosa também era poupado de algumas atividades por uma questão no púbis.
? Nosso elenco era muito curto para treinamentos (devido a saídas do elenco e lesionados). Isso gera uma insatisfação nos jogadores, o fato de não se ter um número adequado para fazer uma pré-temporada de alto nível. Influencia diretamente no trabalho.
Reencontro na Copinha: Botafogo vs. Itaquaquecetuba
O Botafogo chega às oitavas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior com um retrospecto impecável, acumulando três vitórias na fase de grupos e duas no mata-mata. A última vitória foi uma goleada do time sub-17 sobre o Juventude, por 4 a 1.
O time sub-17 do Botafogo entrará em campo novamente, uma vez que a base do grupo sub-20 está no Rio de Janeiro para disputar o Campeonato Carioca. O Itaquaquecetuba de Carlos Leiria, por sua vez, avançou à fase após eliminar o Fortaleza nos pênaltis. A partida está marcada para as 16h20 (horário de Brasília).
? Espero que o torcedor entenda que o Botafogo representa muito na minha trajetória. Me recolocou no cenário nacional, fui vice-campeão do Brasileiro de Aspirantes, participei da retomada da base do clube. O Botafogo vai crescer muito mais na base, e sei que eu sou uma peça importante nessa reestruturação. Para mim vai ser um prazer, uma satisfação. Mas lógico, vamos (Itaquá) trabalhar da melhor maneira possível para, quem sabe, eliminar mais um favorito ? finalizou Carlos Leiria.
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