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Bruninho Samudio: O futuro do gol no Botafogo e na Seleção

Por Redação FutFogão em 30/12/2025 08:35

O Botafogo encontrou em Bruninho Samudio mais do que um goleiro de 1,91 m com potencial físico; encontrou um jovem determinado a reescrever sua narrativa através das luvas. Atualmente integrado às categorias de base do Alvinegro, o atleta de 15 anos lida com a pressão inerente ao esporte e com o peso de uma história pessoal que, por vezes, é utilizada como ferramenta de agressão por terceiros. A postura do jovem, contudo, revela uma blindagem emocional rara para sua idade.

Recentemente, durante um clássico contra o Vasco pelo Carioca Sub-15, a hostilidade externa se manifestou de forma cruel. Um espectador, ligado a atletas adversários, tentou desestabilizar o jovem mencionando o trágico fim de sua mãe. O episódio gerou revolta em Sonia Moura, avó e figura materna de Bruninho, que não se calou diante da ofensa. "Fala para o goleiro que o pai dele matou a mãe", foi a frase que desencadeou o conflito nas arquibancadas do Nilton Santos.

Sonia, que protege o neto com vigor, confrontou o agressor diretamente. Em seu relato, ela expressou a indignação com a postura de adultos no ambiente formativo do futebol: "Fico chateada que certas coisas acontecem dentro do futebol, e não é nem por parte dos meninos, mas por parte dos pais. Eu bati nas costas da pessoa e falei: 'Ó, você é um filho da p?, você é um m?'. Falei: se você não é pai de atleta, é isso que você ensina para o seu filho? Não tem necessidade nenhuma de você falar que o pai matou a mãe, porque ele sabe."

A ascensão técnica de Bruninho no Botafogo

Alheio ao tumulto das arquibancadas, Bruninho foca no que acontece entre as traves. Para ele, a capacidade de ignorar o ruído externo é um requisito básico para quem deseja o sucesso no futebol profissional. Ao comentar sobre o comportamento da torcida, ele é pragmático: "Quem escuta provocação de arquibancada está na profissão errada, está no esporte errado". Essa mentalidade é reforçada por sessões de terapia, fundamentais para que ele processe traumas e mantenha a concentração no rendimento esportivo.

O desempenho em campo justifica o investimento do Botafogo . O ano de 2025 já reserva marcos importantes, como o título com a Seleção Brasileira Sub-15, onde foi protagonista ao defender um pênalti na decisão contra a Argentina, além de sua promoção para a equipe Sub-17 do Glorioso. Seus objetivos são claros e ambiciosos: "Quero ser conhecido como um goleiro que falha pouco, é decisivo, que garante títulos para o Botafogo e para a seleção", afirma o jovem.

Abaixo, os principais marcos da trajetória do atleta até o momento:

Período/Ano Evento / Clube Destaque
Início Campo Grande (MS) Transição da linha para o gol com Geraldo Harada
2024 Athletico-PR Primeiro contrato de formação aos 14 anos
Julho/2024 Botafogo Chegada ao Alvinegro e integração à base
2025 Seleção Brasileira Sub-15 Campeão e herói nos pênaltis contra a Argentina

O suporte familiar e o amadurecimento psicológico

A estrutura que sustenta Bruninho é predominantemente feminina. Sonia Moura é a base de sua criação, especialmente após o falecimento de seu avô em 2022. A relação de confiança entre os dois permite que o goleiro explore sua identidade de forma segura. Recentemente, uma descoberta curiosa conectou o jovem ainda mais à sua linhagem: ao observar fotos antigas, ele identificou que Eliza Samudio também atuava como goleira em times femininos. "Quem é minha mãe aqui?", perguntou ele, para ouvir de Sonia: "A sua mãe é a goleira".

Essa conexão com o passado não o impede de olhar para o futuro. No Botafogo , a diretoria trata o caso com a seriedade que a maturação de um jovem talento exige. Léo Coelho, diretor de futebol da base, enfatiza que o clube oferece suporte, mas mantém a meritocracia: "Ele é um atleta como outro qualquer, não vai ser privilegiado. Mas deixamos à disposição todo o estafe para que ele se sinta confortável. Foi um caso muito emblemático, que chamou muita atenção. Isso pode se tornar negativo no processo de maturação. Nós estamos muito felizes com o Bruninho aqui, com o progresso dele. A gente vislumbra um potencial, que segue evoluindo".

A evolução física também impressiona. Aos 12 anos, Bruninho já atingia 1,77 m, estatura que facilitou sua transição do futsal para o campo. Seu mentor inicial, Geraldo Harada, recorda o impacto de descobrir a origem do menino, mas ressalta que o talento sempre foi o foco: "Eu me assustei quando a Sonia me ligou primeiramente. Aí ela falou: 'Sonia Samudio'. Esse sobrenome ficou muito marcante. Aí eu falei assim: 'Caramba, o filho do... Então, o neto dela é o daquela história e tá aqui em Campo Grande, e ela tá me ligando para o menino fazer um treino de experimental'".

Perspectivas futuras e o primeiro contrato profissional

Com a proximidade do seu 16º aniversário em fevereiro, Bruninho vive a expectativa de assinar seu primeiro vínculo profissional com o Botafogo . O jovem já colhe frutos de sua exposição, com patrocínios de material esportivo e uma base sólida de seguidores nas redes sociais. Entretanto, ele mantém os pés no chão, ciente de que o caminho na base não garante o sucesso no profissional. "Eu tenho que me cobrar, porque é o que eu quero da minha vida", declara com firmeza.

A seriedade com que encara a profissão se estende ao seu papel social. Ao lado da avó, Bruninho participa de eventos que combatem o feminicídio e a violência doméstica, transformando sua história pessoal em uma plataforma de conscientização. Sonia Moura espera que a visibilidade do neto ajude a mudar a realidade de muitas mulheres: "Espero que esse trabalho que a gente faz, de formiguinha, uma mão segurando a outra, um dia possa mudar esse filme que temos hoje. É terrível você ver mulheres diariamente sendo mortas e espancadas covardemente".

Dentro de campo, Bruninho Samudio continua sua busca pela perfeição técnica, reconhecendo falhas e buscando a evolução constante. Sua trajetória no Botafogo é um exemplo de resiliência, onde o esporte serve como ferramenta de superação e construção de uma nova identidade, pautada no talento e no trabalho duro. O jovem goleiro, que já se autodenomina "predestinado" em uma de suas tatuagens, parece pronto para enfrentar os desafios que o futebol de alto rendimento impõe.

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