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Botafogo x Nacional Potosí: A Batalha na Altitude Boliviana
Por Redação FutFogão em 18/02/2026 10:13
O Botafogo se prepara para um confronto que transcende o campo de jogo, enfrentando não apenas o Nacional Potosí, mas também os rigores de uma das cidades mais singulares do mundo. Potosí, situada a impressionantes 4.000 metros acima do nível do mar, é um palco histórico que evoca respeito e apreensão, especialmente para equipes brasileiras que visitam a Bolívia.
A Fascinante História de Potosí: Um Centro de Riqueza e Exploração
A fama de Potosí precede seu adversário na Libertadores. A cidade boliviana, com sua altitude desafiadora, ostenta uma história centenária ligada à exploração de prata, que a alçou a um patamar de riqueza global entre os séculos XVI e XVII. Essa metrópole, aninhada nas alturas, tem origens em povos indígenas e no Império Inca, mas foi a chegada dos colonizadores espanhóis que a transformou em um dos centros econômicos mais importantes do planeta, alimentando a Espanha e impulsionando a globalização.
Potosí se destaca como uma cidade de características únicas. Distante 544 km da capital boliviana, La Paz, sua altitude é um fator que intimida. O ge se aprofunda na narrativa desta cidade singular, que se encontra a 4.000 metros de elevação, revelando sua importância na formação da economia global e no legado do poder colonial espanhol na América do Sul.
O Cerro Rico: A Montanha que Moldou o Mundo
Ao chegar em Potosí, a visão do Cerro Rico é imponente. Esta montanha, que atinge 4.782 metros de altitude, é uma extensão da Cordilheira dos Andes e foi a fonte de aproximadamente 85% da extração de prata na região durante o domínio espanhol. Seu nome em quéchua, Sumaq Urqu, carrega consigo uma história de descobertas e exploração.
A lenda narra que, em 1545, um indígena descobriu a prata no Cerro Rico ao acender uma fogueira. A partir desse momento, a montanha se tornou um símbolo de riqueza e, infelizmente, de exploração. O vermelho da montanha, em muitas narrativas, é associado ao sangue derramado pelos trabalhadores locais e escravizados, provenientes inclusive da África, que foram forçados a extrair a prata para o Império Espanhol.
A prata extraída de Potosí teve um impacto global significativo. Foi a partir dela que surgiu o "real de a ocho", a moeda do Império Espanhol, conhecida mundialmente como "dólar espanhol". Esta moeda influenciou o sistema monetário de diversas nações até o século XX e serviu de inspiração para o dólar americano, demonstrando a magnitude da riqueza extraída daquela montanha.
Potosí no Futebol: Um Campo de Batalha para Brasileiros
No universo do futebol, Potosí carrega uma reputação de adversário temido por equipes brasileiras. A simples menção da cidade evoca imagens de cilindros de oxigênio, planejamentos logísticos complexos e a constante luta contra a falta de ar. O Estádio Víctor Agustín Ugarte, palco das partidas, está situado a 4.000 metros de altitude, tornando-o um dos estádios mais altos do mundo.
Embora o Nacional Potosí seja o atual representante boliviano na Libertadores, o Real Potosí, com um escudo que remete ao Real Madrid, deixou sua marca na história recente da competição contra clubes brasileiros. Em sua casa, o Real Potosí demonstrou grande força, registrando poucas derrotas em 12 jogos pela Libertadores. O clube chegou a golear gigantes como Peñarol e Cruzeiro por 5 a 1.
Outras equipes brasileiras também sentiram a dificuldade de jogar em Potosí. Flamengo e Paraná não conseguiram sair vitoriosos em seus confrontos. O Palmeiras, em 2009, foi o único time brasileiro a conquistar uma vitória em Potosí, um feito notável de 2 a 0. O Nacional Potosí, por sua vez, fez sua estreia na Libertadores em 2023, com resultados adversos na fase preliminar. Contudo, na Copa Sul-Americana, a equipe boliviana demonstrou sua capacidade de se impor na altitude, vencendo o Fluminense em 2018 e goleando o Fortaleza por 4 a 1 em 2024.
Estratégias para Superar a Altitude: O Plano do Botafogo
Diante desse cenário desafiador, o Botafogo implementou uma estratégia logística diferenciada para enfrentar o Nacional Potosí. O técnico Martín Anselmi, com experiência em lidar com a altitude em seus trabalhos anteriores no Independiente del Valle e Cruz Azul, desempenhou um papel crucial no planejamento da equipe.
A decisão de como abordar o jogo em Potosí foi fruto de um diálogo abrangente, envolvendo a comissão técnica, os departamentos médico e de futebol, e contou com a aprovação de John Textor, proprietário da SAF do Botafogo . A estratégia inicial visava enviar um grupo de jovens atletas com antecedência para a cidade, a fim de iniciarem o processo de aclimatação.
Um grupo de atletas da base, incluindo Christian Loor, Léo Linck, Gabriel Abdias, Kadu, Kauan Toledo, Kauã Cruz, Marquinhos, Bernardo Valim e Wallace Davi, juntamente com o técnico do sub-20, Rodrigo Bellão, embarcaram para Sucre, uma cidade com altitude mais amena (2.800 metros), alguns dias antes da partida. A chegada antecipada a Sucre, seguida de um deslocamento para Potosí no dia do jogo, visa minimizar o impacto da altitude nos jogadores.
A delegação principal, composta pelos jogadores do time profissional, viajou mais próxima da data do confronto. Ao desembarcar em Sucre, eles permanecerão na cidade para pernoitar, subindo para Potosí apenas no dia do jogo. Essa manobra busca reduzir o tempo de exposição à altitude extrema. O trajeto de Sucre a Potosí, com cerca de 150 km, será realizado em veículos 4x4, semelhante ao planejado por outras equipes como Fortaleza e Boca Juniors em 2024, e tem duração estimada de 3 horas.
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