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Botafogo Eliminado da Libertadores: Análise Crítica dos Erros de Gestão e Futuro

Por Redação FutFogão em 22/08/2025 09:13

O revés sofrido pelo Botafogo, que culminou em sua eliminação da Copa Libertadores após a derrota por 2 a 0 para a LDU no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, transcende a simples performance em campo. Este desfecho, lamentável para a torcida alvinegra, surge como um espelho das inúmeras decisões equivocadas que têm pautado a gestão do clube ao longo do ano. Longe de ser um evento isolado, a saída precoce da competição continental reflete uma série de escolhas questionáveis que minaram as ambições do Glorioso.

De fato, a trajetória que levou o Alvinegro às oitavas de final da Libertadores e, posteriormente, à sua eliminação, teve seus alicerces comprometidos ainda no início da temporada. A prolongada espera de John Textor, proprietário da SAF, para definir o comando técnico da equipe, estendendo-se por quase três meses, e a subsequente escolha de um nome que se revelou aquém das expectativas, foram os primeiros indícios de uma rota perigosa. Praticamente todas as deliberações do empresário neste período têm se mostrado problemáticas, impactando diretamente o desempenho esportivo.

O Legado da Montagem do Elenco: Lacunas e Desfalques

A composição do elenco figura como um dos pontos mais críticos dessa gestão. A equipe foi negligenciada nos primeiros meses do ano, com sua estrutura sendo definida apenas com a temporada já em andamento. Neste cenário, o Botafogo viu-se desfalcado de peças cruciais e não conseguiu repor tais perdas à altura. Embora a substituição de talentos como Luiz Henrique e Almada fosse, de fato, um desafio considerável, a falha não se limitou à ausência de nomes de peso. A carência de jogadores no banco de reservas com capacidade de alterar o curso das partidas e a decisão de negociar atletas importantes no decorrer da temporada agravaram a fragilidade do grupo.

A área técnica, por sua vez, representou outro flanco onde a diretoria cometeu erros significativos em 2025 (sic). A demora, que se estendeu por quase três meses, na escolha do sucessor de Artur Jorge, cuja saída já era especulada desde o ano anterior, culminou na seleção de um perfil que, infelizmente, não correspondeu às necessidades do clube. Essas escolhas no comando técnico adicionaram mais uma camada de instabilidade a um ambiente que já carecia de solidez.

A Dança dos Treinadores e a Busca por Identidade

Renato Paiva, embora tenha conseguido manter a equipe "respirando por aparelhos" na competição continental e em posições razoáveis no Campeonato Brasileiro, demonstrou ter atingido seu limite com um time em constante reformulação. Sua incapacidade de elevar o patamar do Botafogo , especialmente em um cenário de alta exigência como a Copa do Mundo de Clubes, tornou sua demissão, após a eliminação para o Palmeiras, uma consequência inevitável.

Para preencher a lacuna deixada por Paiva, Textor surpreendeu o mercado ao trazer Davide Ancelotti, em sua primeira experiência como treinador principal, após o italiano ter recusado propostas de clubes europeus. É justo reconhecer que, apesar dos eventuais erros na eliminação contra a LDU, a equipe tem exibido melhoras perceptíveis desde sua chegada. Em poucos jogos, o Alvinegro demonstra um futebol mais ofensivo e objetivo. Contudo, a letalidade em casa e contra adversários de maior calibre ainda é uma lacuna. Mesmo assim, percebe-se um sinal promissor para o longo prazo, e o tempo será o juiz de como se desenrolarão os próximos meses sob seu comando.

O Imbróglio Jurídico: Nuvens no Horizonte Alvinegro

Fora das quatro linhas, o Botafogo navega por um período de profunda incerteza quanto ao seu futuro, mergulhado em um complexo imbróglio judicial. A disputa envolve John Textor, os fundos Ares e a Eagle Football Holdings, com o controle da SAF do clube em jogo. Após adquirir 90% da SAF em 2022 por meio da Eagle Holding, Textor utilizou ativos do Botafogo como garantia para financiar a compra do Lyon. No entanto, a gestão de Textor no clube francês desmoronou, gerando forte descontentamento entre os investidores e resultando em sua saída do comando do Lyon. Este racha estendeu-se à Eagle, onde os sócios passaram a pressionar pela saída definitiva de Textor do grupo e, consequentemente, do comando do Alvinegro. Contudo, essa movimentação foi barrada pelo clube associativo.

Em resposta, Textor tentou uma manobra para manter o controle do Botafogo , criando uma nova empresa (Eagle Football Group, sediada nas Ilhas Cayman) e transferindo para ela ativos comerciais da SAF. Essa ação levou a Eagle Holding a acioná-lo judicialmente. A controvérsia se intensificou com decisões da Justiça do Rio que congelaram as ações da Eagle na SAF do Botafogo , mantendo Textor à frente do clube enquanto a dívida da holding com o Botafogo , avaliada em R$ 152 milhões, é objeto de discussão. Paralelamente, a Iconic Sports, outra empresa, também ingressou na Justiça nos EUA, exigindo a recompra de sua participação na Eagle. No epicentro de tudo, o Botafogo transformou-se em palco de uma batalha por poder e recursos financeiros, uma mistura de interesses que semeia incertezas sobre o destino da instituição.

Botafogo 2025: Redefinindo Prioridades e o Caminho a Seguir

As próximas semanas serão cruciais para a definição do futuro do clube nos anos vindouros. A incerteza paira no ar, e a resolução judicial determinará os rumos do Alvinegro. Enquanto isso, a equipe tem os meses finais da temporada pela frente, e a questão que ecoa entre os torcedores é: o que resta para o Botafogo em 2025?

Neste momento de reflexão, o Botafogo precisa reavaliar sua rota, projetar o que pode ser alcançado no curto prazo e estabelecer metas claras. O exemplo de um grande rival pode servir de inspiração para um planejamento pós-revés, demonstrando como a estruturação antecipada pode render frutos. A equipe da Estrela Solitária ainda tem a oportunidade de buscar o inédito título da Copa do Brasil e de se manter nas primeiras posições do Brasileirão, quem sabe até brigando pelo título, mas o foco inicial deve ser a consolidação no G-4 e a redução da diferença para os líderes. Ao recalcular sua estratégia e traçar objetivos bem definidos, o Botafogo poderá colher resultados positivos no final de 2025 e construir uma base mais sólida para 2026.

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